segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

192) Uma opiniao (construtiva, ao que parece) sobre a candidata oficial...

Vai, minha filha, ajuda!
Ricardo Noblat
O Globo, 21.12.2009

— Se o clima fosse um banco eles já o teriam salvo.
(Hugo Chávez, presidente da Venezuela, sobre a reunião de Copenhague)
Tudo bem que a eleição de Dilma Rousseff para presidente da República dependa acima de tudo da capacidade de Lula de transferir votos para ela. Haverá transferência. O que ninguém sabe é se será suficiente.
Mas convenhamos: Dilma tem de fazer sua parte.
Foi um fiasco, por exemplo, seu desempenho na conferência sobre o clima em Copenhague.
Que melhor cenário poderia ter sido montado para Dilma desfilar como apóstola da preservação do meio ambiente? Apóstola seria um exagero. A senadora Marina Silva (PV-AC) é quem tem jeito de apóstola.
Desafetos apontam Dilma como adepta do desenvolvimento a qualquer preço — o que é um exagero.
Copenhague foi uma oportunidade desperdiçada por ela.
Primeiro trombou com o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente. Desautorizou uma declaração dele que em nada criaria embaraços para a posição do Brasil na conferência.
Em seguida trombou com Marina e o governador José Serra (PSDB).
Os dois propuseram que o Brasil doasse um bilhão de dólares para a criação de um fundo internacional de financiamento de medidas de adaptação e redução de emissões de gases nos países pobres.
Dilma rebateu a proposta sem pensar que ficaria mal na foto: “Um bilhão de dólares não faz nem cosquinha”.
Mais tarde provou o remédio amargo que empurrara goela abaixo de Minc — acabou desautorizada por Lula.
Ao pedir aos países desenvolvidos que se comprometessem com metas concretas de defesa do meio ambiente, Lula disse que o Brasil estava disposto, sim, a doar dinheiro para o tal fundo.
E ainda houve o que muitos atribuíram a um ato falho de Dilma. Em uma de suas intervenções antes que Lula chegasse a Copenhague, Dilma afirmou em discurso por escrito: “O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”.
Pobre redator do discurso.
Da forma como a frase foi construída é improvável que ele tenha escrito: “O meio ambiente não é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”. Nesse caso, o “sem dúvida nenhuma” teria sido extirpado em favor da clareza. Dilma leu o que foi escrito.
Culpa não lhe cabe.
Coube-lhe o desgaste pela trapalhada. Sorte dela que não tenham vazado durante o encontro inconfidências cometidas por seus próprios assessores. O desgaste teria sido ainda maior. Dilma cobrou do governo da Dinamarca tratamento conferido apenas a chefes de Estado.
Não obteve.
Ao desembarcar, pretendia entrar direto em um carro e se mandar do aeroporto. Não conseguiu. Estava disposta a driblar detectores de metal.
Não conseguiu. Exigiu que lhe servissem comida especial — conseguiu. Requisitou para uso exclusivo uma copiadora capaz de imprimir a cor — conseguiu também.
Distante dos marqueteiros, por sua própria conta e risco, Dilma foi Dilma em estado puro.
Talvez tenha sido mais feliz assim. Recentemente, ela admitiu que cansou de ouvir conselhos para mudar determinados traços do seu temperamento.
Decidira não tentar mais parecer com o que não é.
A simpatia não é o seu forte.
Por que penar para ser simpática? Quem convive com ela a reconhece como uma executiva eficiente e talentosa, embora centralizadora.
E na maioria das vezes ríspida com seus subordinados.
Gosta de mandar — um ponto positivo para quem aspira ao cargo mais importante do país. E não gosta de ser contrariada.
Ora bolas! Por que fazer de conta que a dama de ferro esconde uma espécie de Dilminha paz e amor? Lula é quem domina a requintada arte de se comportar como um camaleão.
É grosseiro em particular com os que o cercam.
Em público é doce com eles.
Em particular diz muitos palavrões.
Só falou merda uma vez em público.
Políticos são atores — Dilma sabe. Falam em campanha o que a distinta plateia quer ouvir — Dilma sabe. E não dão um passo sem pesquisar antes seus efeitos — Dilma sabe. Portanto, ou ela segue as regras ou perde de véspera.
Lula ainda não chegou ao ponto de operar milagres

domingo, 20 de dezembro de 2009

191) Censura nos meios de comunicacao: melhor prevenir antes

Este blog, voltado precipuamente para os temas das eleições presidenciais de 2010, e em geral para questões da política brasileira e de processos afins, raramente publica opiniões ou posicionamentos de entidades partidárias ou de personalidades políticas, a menos que isso tenha a ver com a informação acerca daqueles temas acima citados.
A censura (ou tentativa de) aos meios de comunicação não faz parte, normalmente, de minhas preocupações pessoais, posto que este blog é inteiramente livre de qualquer censura, servindo justamente para a disseminação de informações e análises relevantes nos campos que são os seus.
O comunicado abaixo, do Partido Federalista Brasileiro (que confesso não sei se existe legalmente, ou se é apenas um projeto), não se destina a qualquer campanha partidária ou sequer significa apoio às suas teses e posições. Ele vai transcrito apenas porque toca numa questão que considero relevante no atual cenário informativo brasileiro: a liberdade total de comunicação e de expressão de opiniões políticas. Num momento em que um grande jornal brasileiro, O Estado de São Paulo, teve cerceada sua liberdade de informação num caso que envolve um dos muito bandidos e corruptos que infernizam a vida brasileira, creio ser importante lutar pela total liberdade de expressão e de opinião, que alguns celerados querem controlar e talvez reprimir, segundo opiniões manifestadas em recente encontro patético em Brasília.
Vai, sem meu endosso expresso, mas apenas porque julgo ser o tema suficientemente importante para ser tratado neste blog.
Paulo Roberto de Almeida (20.12.2009)

Nota Oficial do do Partido Federalista
NÃO AO CONTROLE DA EXPRESSÃO!


O Partido Federalista, na defesa inarredável da Liberdade e dos melhores princípios da Democracia, do Federalismo pleno das autonomias estaduais e municipais, vem de público se pronunciar sobre a inapropriada CONFECOM – Conferencia Nacional de Comunicação, recentemente encerrada. À vista das “convergências” e acordos resultantes das discussões e votações de discutíveis representantes da mídia em geral, com escusos objetivos de forçar legislação que estabeleça formas de monitoramento de conteúdo publicado no Brasil, declaramos:

1. A expressão das idéias, de opiniões, de notícias, enfim de tudo que se caracterize como informação não pode jamais ser monitorada por qualquer órgão, estatal ou privado, sob pena de se dar início a formação de circunstâncias para a progressiva constituição de um Estado Totalitário;

2. Os federalistas e todos os que amam a Liberdade são absolutamente contra qualquer forma de centralização e monopolização da informação, independentemente do modo que venha a se propor, não se aceitando nenhum sofisma, nenhum eufemismo, sob nenhuma justificativa. São completamente inapropriadas tais conferências com escusos objetivos, pois a liberdade de imprensa não se discute, se exerce.

3. Um Estado de Direito, muito mais sólido do que um Estado Democrático de Direito – já que é sob esta forma que agem os contrários à Liberdade, ou que não enxergam com o que estão “brincando” - se pauta pela manutenção concreta e perpétua de princípios que são perfeitamente interpretáveis por qualquer juízo quando as liberdades ultrapassam os limites do bom senso, responsabilizando civil e penalmente aquele que faltar com a verdade, falsear fatos, prejudicando vidas e instituições estatais ou privadas. É a justiça do peso e contra-peso que regula por si só, o papel de bem informar;

4. Uma Nação só prospera com a Livre Iniciativa, além é claro, da Liberdade de Expressão. As empresas, incluindo as da Imprensa, não podem ser cooptadas por uma falsa democracia que, através do controle popular dos meios de comunicação, incluindo até mesmo seus respectivos negócios, visam estabelecer uma espécie de sovietização dos processos produtivos, começando pela mídia. Seria o fim da liberdade de expressão. Ninguém é obrigado a ler, ouvir ou assistir o que não quer, e cabe somente ao setor privado identificar públicos e demandas específicas para programação e linhas editoriais. Nenhuma empresa de mídia produz o que não vende. E ninguém compra – revistas, programas, jornais e qualquer produção cultural – da qual não goste, seja de produção nacional ou internacional.

5. Não se deve condenar nem mesmo a liberdade editorial de um determinado veículo, do ponto de vista ideológico, pois este estará exercendo seu direito de livre expressão. E isso só interessa entre tal empresa e o seu público consumidor. Qual é o problema de um veículo de mídia ser liberal, de direita ou esquerda? Propugnamos pelo fim da insidiosa e burra rotulagem dos órgãos de imprensa, conclamando apenas que todos sejam realmente independentes, único meio de preservar a própria liberdade editorial e até de expressão. É o único meio de circular pela Nação todas as correntes de pensamento, reforçando progressivamente a capacidade de cognição objetiva e subjetiva dos consumidores de informação.

6. Somos veementemente contra também qualquer marco regulatório – mais um eufemismo – sobre a internet, como pretendido pelo Ministério da Justiça. A internet é o mais fantástico meio de troca de informações em tempo real, atingindo dezenas de milhões de pessoas, ampliando sobremaneira as possibilidades de qualquer pessoa publicar seu próprio conteúdo e ter acesso a milhões de outros, e controlá-la seria o mesmo que adentrar em conversas privadas dentro das casas de todos os brasileiros. Inaceitável trazer para o Brasil os controles, ainda que em parte, praticados em países como a China, Cuba, Coréia do Norte.

Conclamamos a toda a Imprensa e todos os brasileiros a, como fazemos agora, engrossarem as frentes contra mais essa tentativa de cercear um dos mais valiosos direitos civis, pois ao permitirmos isso, especialmente por omissão, abriremos as portas para o inimaginável controle do Governo Central sobre tudo e todos.

Brasília, DF, 19 de dezembro de 2009.
Partido Federalista
Thomas Korontai
Presidente Nacional
www.federalista.org.br

Pela autonomia dos estados!
Pela autonomia legislativa, tributária, judiciária e administrativa dos estados – Descentralização dos Poderes!

sábado, 19 de dezembro de 2009

190) Eleicoes na internet: estrategias dos candidatos

A disputa na arena digital
Alexandre Oltramari
Veja, 19.12.2009

Os políticos brasileiros estão se armando para usar bem a internet em 2010. A rede oferece várias maneiras de chegar aos eleitores – e-mails, newsletters, blogs e a criação de websites interativos são as mais comuns. A fronteira das redes sociais já começa também a ser desbravada. Nessas redes as pessoas criam páginas em que seus amigos e os amigos dos amigos trocam informações de interesse comum, formando extensas comunidades virtuais. Entre elas a mais dinâmica é o Twitter, serviço de troca de mensagens curtas com até 140 caracteres que se tornou uma febre mundial. Nele, as pessoas se interligam de um modo peculiar: elas seguem e são seguidas. Um tuiteiro de muito sucesso pode ter milhares de seguidores. Seguir significa cadastrar-se no Twitter de alguém e, então, habilitar-se a receber automaticamente todas as mensagens mandadas por aquele usuário.

Na política, o Twitter pode funcionar como um palanque eletrônico com muito maior potencial para dar uma estocada em um adversário do que para construir uma reputação. Imagine um candidato a governador que consiga, por exemplo, 50 000 seguidores em seu Twitter e que, em média, cada um dos seus seguidores tenha, digamos, outra centena de seguidores. Cada mensagem desse político chegaria quase instantaneamente a 5 milhões de pessoas. Uma velha raposa da política comparou o papel eleitoral do Twitter ao poder que os padres católicos desfrutavam nas paróquias do interior do Brasil nos anos 50 e que os pastores protestantes têm hoje: Padre ajuda pouco e atrapalha muito. Ou seja, uma palavrinha a favor de um político dita no púlpito não motiva muito, mas uma ameaça de excomunhão, que pode ser feita com menos de 140 caracteres, se espalha destrutivamente com o poder das fofocas entre os paroquianos.

A pedido de VEJA, a empresa Direct Labs monitorou durante uma semana os quase 10 milhões de usuários de Twitter no Brasil. O interesse era descobrir o que os tuiteiros andam falando dos candidatos potenciais à Presidência da República em 2010. A Direct Labs valeu-se do Scup, um serviço digital que monitora o conceito de pessoas e empresas no mundo digital. O Scup rastreia as conversações dos chamados perfis abertos (usuários que não acionaram os mecanismos de privacidade do Twitter). Para a pesquisa pedida por VEJA, os analistas cruzaram os nomes dos candidatos com os adjetivos associados a eles nas trocas de mensagens dos tuiteiros brasileiros entre 8 e 14 de dezembro. Com base nesses dados, foi possível obter uma boa ideia da imagem do candidato.

Os analistas captaram as referências eletrônicas ao governador de São Paulo, José Serra, à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao deputado federal Ciro Gomes e à senadora Marina Silva, prováveis candidatos à sucessão do presidente Lula. As menções aos presidenciáveis foram lidas 8 milhões de vezes. A senadora Marina Silva, que trocou o PT pelo PV, é a menos citada, mas é a que aparece mais frequentemente associada a palavras de admiração. Em termos eleitorais, qual é o significado da pesquisa para os candidatos? Pequeno. Infelizmente para Marina e felizmente para Dilma e Serra, os mais lanhados nas mensagens entre os tuiteiros, eles não formam um grupo de pessoas com a cara da média do eleitorado brasileiro. Mais de 90% dos tuiteiros do Brasil vivem no Sudeste e no Sul – quase a metade mora em São Paulo e tem entre 21 e 25 anos. Majoritariamente, são pessoas solteiras (82%) e com alto nível de escolaridade (70% têm ensino superior completo ou cursam pós-graduação).

Ainda assim é importante saber o que esse grupo privilegiado de brasileiros pensa de seus políticos. A boa reputação no mundo virtual é importante porque ela pode transpor a fronteira da rede e ajudar a formar a opinião de quem não acessa a internet, diz Marcelo Brandão, marketeiro político. O deputado federal Fernando Gabeira, do PV do Rio de Janeiro, sabe disso. Gabeira montou uma equipe que atualiza seu Twitter constantemente. Diz ele: Parte do que é publicado ali acaba repercutindo até na televisão. A equipe de Dilma Rousseff considera a ferramenta essencial para o sucesso da candidatura da ministra. Seus marqueteiros recrutaram Ben Self, um dos operadores da campanha virtual de Obama. Serra, que é um fervoroso tuiteiro, ainda não se mexeu nesse campo com objetivos eleitorais, mas pode-se esperar para breve uma ardente disputa entre eles na arena digital.

189) Nova pesquisa eleitoral: poucas surpresas, por enquanto

Na Folha de domingo, Datafolha; cenário de agosto não se repete
Reinaldo Azevedo, 19/12/09

A Folha deve publicar neste domingo a pesquisa Datafolha. A anterior do instituto é de meados de agosto. O cenário mudou. Não me refiro à desistência de Aécio, certamente posterior ao levantamento.
Em agosto, Heloisa Helena aparecia em todas as simulações do instituto como candidata. Num dos cenários, o quatro, com Aécio como o nome tucano e sem Ciro, ela até liderava. Ela já disse que vai se candidatar ao Senado. Seu partido, o PSOL, tenta costurar um acordo com Marina Silva.
A candidata do PV apareceu na pesquisa anterior do Datafolha, mas, ainda assim, vejam lá, com a representante do PSOL. Vejam a evolução dos cenários testados pelo Datafolha desde o ano passado.

CENÁRIO UM - COM SERRA E CIRO
Candidato Serra
03/2008: 38
11/2008: 41
03/2009: 41
05/2009: 38
08/2009: 37

Candidata: Dilma
03/2008: 3
11/2008: 8
03/2009: 11
05/2009: 16
08/2009: 16

Candidato: Ciro
03/2008: 20
11/2008: 15
03/2009: 16
05/2009: 15
08/2009: 15

Candidata: Heloisa Helena
03/2008: 14
11/2008: 14
03/2009: 11
05/2009: 10
08/2009: 12

CENÁRIO DOIS - COM AÉCIO E CIRO
Candidato: Ciro
03/2008: 31
11/2008: 25
03/2009: 25
05/2009: 24
08/2009: 23

Candidata: Dilma
03/2008: 4
11/2008: 9
03/2009: 12
05/2009: 19
08/2009: 19

Candidata: Heloisa Helena
03/2008: 19
11/2008: 19
03/2009: 17
05/2009: 15
08/2009: 17

Candidato: Aécio
03/2008: 15
11/2008: 17
03/2009: 17
05/2009: 14
08/2009: 16

CENÁRIO 3 - COM SERRA, SEM CIRO
Candidato: Serra
11/2008: 47
03/2009: 47
08/2009: 44

Candidata: Dilma
11/2008: 10
03/2009: 13
08/2009: 19

CENÁRIO 4 - COM AÉCIO, SEM CIRO
Candidata: Heloisa Helena
11/2008: 27
03/2009: 26
08/2009: 24

Candidata: Dilma
11/2008: 12
03/2009: 16
08/2009: 24

Candidat: Aécio
11/2008: 23
03/2009: 22
08/2009: 20

CENÁRIO 5 - COM SERRA, AÉCIO, H.HELENA E CIRO
Candidato: Serra
11/2008: 36
03/2009: 35
05/2009: 35
08/2009: 32

Candidata: Dilma
11/2008: 7
03/2009: 11
05/2009: 14
08/2009: 16

Candidato: Ciro
11/2008: 14
03/2009: 14
05/2009: 14
08/2009: 14

Candidata: Helois Helena
11/2008: 12
03/2009: 12
05/2009: 10
08/2009: 12

Candidato: Aécio
11/2008: 12
03/2009: 12
05/2009: 9
08/2009: 10

188) Pesquisa eleitoral: Serra vence no primeiro turno

NO VOX POPULI, PROGRAMA NO PT NÃO FAZ DILMA CRESCER; SEM CIRO, SERRA VENCERIA A DISPUTA NO PRIMEIRO TURNO
Reinaldo Azevedo, 19/12/09

O Vox Populi divulgou a pesquisa feita depois que o programa político do PT foi ao ar, em que Dilma Rousseff foi a grande estrela. O resultado deste levantamento ao menos não é nada animador para a petista. Vejam os cenários abaixo. Os número da primeira coluna das simulações referem-se ao levantamento feito entre 4 e 7 de dezembro; os da segunda, ao feito entre 11 e 14. No Vox Populi, Dilma desafiou aquela lógica de que eu havia falado aqui. Mesmo depois da propaganda e mesmo depois das enchentes em São Paulo — e da cobertura, como direi?, anti-Serra que lhe dispensam os jornais —, ela não cresceu, e o governador de São Paulo não caiu.

CENÁRIO UM - COM SERRA E CIRO
Candidato: 4 a 7/12 - 11 a 14/12
Serra 39 - 39
Dilma 17 - 18
Ciro 13 - 17
Marina 8 - 8

CENÁRIO DOIS - COM AÉCIO E CIRO
Candidato: 4 a 7/12 - 11 a 14/12
Aécio 25 - 24
Ciro 19 - 23
Dilma 15 - 17
Marina 10 - 11

CENÁRIO TRÊS - COM SERRA, SEM CIRO
Candidato: 4 a 7/12 - 11 a 14/12
Serra 43 - 46
Dilma 20 - 21
Marina 10 - 11

CENÁRIO 4 - COM AÉCIO, SEM CIRO
Candidato: 4 a 7/12 - 11 a 14/12
Aécio 29 - 28
Dilma 21 - 24
Marina 13 - 15

Como se nota, o programa eleitoral, no levantamento do Vox Populi, não trouxe qualquer alteração para Dilma Rousseff. Ao contrário até: no cenário em que Ciro não disputa, Serra ampliou a sua vantagem: passou de 23 pontos para 25. Com 46 pontos, ele venceria a disputa no primeiro turno.

O Vox Populi insistiu em testar aqueles cenários em que o candidato aparece com um vice. Repetiu o estranho procedimento que testa a chapa Aécio/Ciro, por exemplo, uma possibilidade remotíssima, mas não verifica como o eleitor veria a chapa Serra/Aécio. Em todo caso, vamos ver os resultados.

CENÁRIO UM
Serra/Kátia Abreu 44%
Dilma/Temer 21%
Marina/Guilherme Leal 10%

CENÁRIO DOIS
Aécio/Ciro Gomes 35%
Dilma/Temer 21%
Marina/Guilherme Leal 13%

CENÁRIO TRÊS
Serra/Kátia Abreu 38%
Dilma/Temer 20%
Ciro/Paulinho da Força 12%
Marina/Guilherme Leal 9%

Também nesse caso, a dupla Serra/Kátia Abreu venceria a disputa no primeiro turno. Na hipótese em que Ciro disputa tendo como vice Paulinho da Força, o tucano e a senadora do DEM ficam bem perto de vencer já na primeira rodada, no limite da margem de erro.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

187) Aecio Neves: um pré-candidato desiste da candidatura...

A CARTA DE AÉCIO

“Belo Horizonte, 17 de dezembro de 2009.

Presidente Sérgio Guerra,

Companheiros do PSDB,

Há alguns meses, estimulado por inúmeros companheiros e importantes lideranças da nossa sociedade, aceitei colocar meu nome à disposição do nosso partido como pré-candidato à Presidência da República.

Como parte desse processo, defendi a realização de prévias e encontros regionais que pudessem levar o PSDB a fortalecer a sua identidade e integridade partidárias.

Assim o fiz, alimentado pela crença na necessidade e possibilidade de construirmos um novo projeto para o país e um novo projeto de País.

Defendi as prévias como importante processo de revitalização da nossa prática política. Não as realizamos, como propus, seja por dificuldades operacionais de um partido de dimensão nacional, seja pela legítima opção da direção partidária pela busca de outras formas de decisão. Ainda assim, acredito que teria sido uma extraordinária oportunidade de aprofundar o debate interno, criar um sentido novo de solidariedade, comprometimento e mobilização, que nos seriam fundamentais nas circunstâncias políticas que marcarão as eleições do ano que vem.

A realização dos encontros regionais foi uma importante conquista desse processo. O reencontro e a retomada do diálogo com a nossa militância, em diversas cidades e regiões brasileiras, representaram os nossos mais valiosos momentos. A eles se somaram outros encontros, também sinalizadores dos nossos sonhos, com trabalhadores, empresários e outros setores da nossa sociedade.

Ouvindo-os e debatendo, confirmei a percepção de um País maduro para vivenciar um novo ciclo de sua história. Pronto para conquistar uma inédita e necessária convergência nacional em torno dos enormes desafios que distanciam nossas regiões umas das outras, e em torno das grandes tarefas que temos o dever de cumprir e que perpassam governos e diferentes gerações de brasileiros.

Ao apresentar o meu nome, o fiz com a convicção, partilhada por vários companheiros, de que poderia contribuir para uma construção política diferente, com um perfil de alianças mais amplo do que aquele que se insinua no horizonte de 2010. E as declarações de líderes de diversos partidos nacionais demonstraram que esse era um caminho possível, inclusive para algumas importantes legendas fora do nosso campo.

Defendemos um projeto nacional mais amplo, generoso e democrático o suficiente para abrigar diferentes correntes do pensamento nacional. E, assim, oferecer ao país uma proposta reformadora e transformadora da realidade que, inclusive, supere e ultrapasse o antagonismo entre o “nós e eles”, que tanto atraso tem legado ao País.

Devemos estar preparados para responder à autoritária armadilha do confronto plebiscitário e ao discurso que perigosamente tenta dividir o País ao meio, entre bons e maus, entre ricos e pobres. Nossa tarefa não é dividir, é aproximar. E só aproximaremos os brasileiros uns dos outros, através da diminuição das diferenças que nos separam.

O que me propunha tentar oferecer de novo ao nosso projeto, no entanto, estava irremediavelmente ligado ao tempo da política, que, como sabemos, tem dinâmica própria. E se não podemos controlá-lo, não podemos, tampouco, ser reféns dele…

Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições. Quando, em 28 de outubro, sinalizei o final do ano como último prazo para algumas decisões, simplesmente constatava que, a partir deste momento, o quadro eleitoral estaria começando a avançar em um ritmo e direção próprios, e a minha participação não poderia mais colaborar para a ampla convergência que buscava construir.

Durante todo esse período, atuei no sentido de buscar o fortalecimento do PSDB.

Deixo a partir deste momento a condição de pré-candidato do PSDB à Presidência da República, mas não abandono minhas convicções e minha disposição para colaborar, com meu esforço e minha lealdade, para a construção das bandeiras da Social Democracia Brasileira.

Busco contribuir, dessa forma, para que o PSDB e nossos aliados possam, da maneira que compreenderem mais apropriada, com serenidade e sem tensões, construir o caminho que nos levará à vitória em 2010.

No curso dessa jornada, mantive intactos e jamais me descuidei dos grandes compromissos que assumi com Minas, razão e causa a que tenho dedicado toda minha vida pública.

Ao deixar a condição de pré-candidato à Presidência da República, permito-me novas reflexões, ao lado dos mineiros, sobre o futuro.

Independente de nova missão política que porventura possa vir a receber, continuarei trabalhando para ser merecedor da confiança e das melhores esperanças dos que partilharam conosco, neste período, uma nova visão sobre o Brasil.

É meu compromisso levar adiante a defesa intransigente das reformas e inovações que juntos realizamos em Minas e que entendemos como um caminho possível também para o País. Continuarei defendendo as reformas constitucionais e da gestão pública, aguardadas há décadas; a refundação do pacto federativo, com justa distribuição de direitos e deveres; e a transformação das políticas públicas essenciais, como saúde, educação e segurança, em políticas de Estado, acima, portanto, do interesse dos governos e dos partidos.

Devo aqui muitos agradecimentos públicos.

À direção do meu partido e, em especial, ao senador Sérgio Guerra pelo equilíbrio e firmeza com que vem conduzindo esse processo.

Aos companheiros do PSDB, pelas inúmeras demonstrações de apoio e confiança.

Manifesto a minha renovada disposição de estar ao lado de todos e de cada um que julgar que a minha presença política possa contribuir, seja no plano nacional ou nos planos estaduais, para a defesa das nossas bandeiras.

Aos líderes de outras legendas partidárias, pela coragem com que emprestaram substantivo apoio não só ao meu nome, mas às novas propostas e crenças que defendemos nesse período.

Nos reencontraremos no futuro.

A tantos brasileiros, pelo respeito com que receberam nossas ideias.

E a Minas, sempre a Minas e aos mineiros, pela incomparável solidariedade.

Aécio Neves”

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

186) Propaganda politica: quando a mentira predomina...

Creio, sinceramente, que as pessoas podem se equivocar; podem ser ignorantes, errar, ou simplesmente contar uma história pela metade. O que não se pode fazer é distorcer deliberadamente, enganar, fraudar, mentir.
Isso é desonestidade intelectual, mau caratismo, má fé ou simplesmente falta de caráter.

Na TV, PT diz que Lula estabilizou economia
Ao lado de Dilma
Maria Lima
O Globo, 12/12/2009

BRASÍLIA - Apesar de ter sido um crítico feroz do Plano Real, que em 94 chamou de "estelionato eleitoral", e de ter brigado contra a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva omitiu resultados das políticas econômicas dos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso e atribuiu ao seu governo, no programa do PT na TV na quinta-feira, grande mérito na estabilização da economia. Protagonista do programa ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula exaltou conquistas dos sete anos de seu governo, turbinou números de empregos gerados no período e prometeu que, em breve, o Brasil atingirá o patamar de quinta maior economia do planeta.

Historiadores e cientistas políticos contestam dados apresentados e criticam o tom de endeusamento de Lula, como se ele fosse o criador de toda a história recente no Brasil. Um trecho do programa diz que, em 2002, "o país que tinha tudo, mas que não tinha nada". Os governos FH e Itamar, com o Real, conseguiram driblar uma inflação que beirava os dois dígitos, abriram a economia para entrada bilionária de investimentos, e fizeram privatizações bem-sucedidas na área de telecomunicações e outros setores.

" Daqui a alguns anos, os livros de história vão dizer que Lula foi o pai dos pobres e Fernando Henrique, o avô "

O economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que a grande vantagem do bom momento que o Brasil vive, apesar da crise, é o resultado de 15 anos de boa política econômica e social.

- Daqui a alguns anos, os livros de história vão dizer que Lula foi o pai dos pobres e Fernando Henrique, o avô. Essa sequência é fundamental. A continuidade foi o grande segredo. O grande personagem desse momento é o brasileiro, não Lula ou FH. O brasileiro realizou um potencial que estava meio adormecido nas duas décadas anteriores. FH plantou muita coisa, e Lula colheu. E Lula plantou outro tipo de cultura de resultado mais imediato, como o Bolsa Família, que, na verdade, é a continuidade do Bolsa Escola do FH - avalia Neri.

Bombardeio contra o Real
Em 26 de junho de 1994, candidato do PT à Presidência, Lula bombardeava o Plano Real e uma pesquisa segundo a qual a maioria dos eleitores desejava a sua continuidade. "O plano ainda não foi implantado. Quero saber como é que a pesquisa foi conduzida para chegar a esse resultado. O povo está calejado e não vai cair em mais um estelionato eleitoral", disse Lula, que acabou derrotado por Fernando Henrique. Agora, no programa, cita todas as conquistas advindas da estabilização econômica, como a criação de 12 milhões de empregos com carteira assinada desde 2003.

- São dados turbinados. O número da FGV é 8,8 milhões de empregos no período, que já é muito bom. Não sei de onde são os 12 milhões. Isso seria Alice no País das Maravilhas - contesta Marcelo Neri.

O historiador Marco Antonio Vila criticou o fato de o programa do PT mostrar todas as conquistas como fruto exclusivo da política adotada por Lula. Mas disse que não se surpreendeu, porque, para Lula, a história sempre começa com ele.

- Pessoalmente ele sempre agiu assim e isso não é um ato falho, é uma estratégia, de apagar as figuras ou a historia que vieram antes dele. Para Lula, o sindicalismo não começou com os anarquistas, mas com ele, em 75. Em termos partidários considera que o primeiro partido dos trabalhadores foi o PT, que é ele. E age como se fosse o primeiro governo a colocar ordem no mundo - critica Vila.

Dutra: críticas são dor de cotovelo do PSDB
A direção nacional do PT confirma que a estratégia do partido nos programas gratuitos de rádio e TV é mesmo realçar os feitos do governo Lula. O presidente eleito do partido, José Eduardo Dutra, disse que as críticas são resultado da "dor de cotovelo" dos tucanos. Sobre a contestação de alguns dados, como o número de empregos com carteira assinada, Dutra afirmou que os realizadores do programa foram até generosos com o governo FH.

- Acho que houve uma infiltração tucana na elaboração do programa do PT. O que foi turbinado foi o número de empregos com carteira assinada do governo FH. Nosso programa diz que foram gerados 5 milhões de empregos no governo passado. Segundo o Caged, o saldo ao fim de oito anos foi de 700 mil - disse.

"Isso é conversa para boi dormir de tucano com dor de cotovelo"
O dirigente petista também rebateu as críticas sobre o fato de o programa se referir às conquistas econômicas, como estabilidade e avanços sociais, como se fossem apenas do governo atual, sem levar em conta o Plano Real e as ações do governo Itamar Franco.

- Engraçado: no seu programa, o PSDB só falou dos oito anos do governo FH e nenhum intelectual reclamou. Lógico que nosso objetivo é mostrar os oito anos do Lula. Isso é conversa para boi dormir de tucano com dor de cotovelo. O Aécio mostrou um monte de coisa (de Minas) e não disse que tudo começou com o Itamar - reagiu Dutra.

Líderes de PSDB e DEM criticaram o programa do PT, em que Dilma aparece numa espécie de jogral com Lula e é citada como a pessoa que o ajudou a concretizar as grandes realizações do governo.

- Eles deveriam mostrar mais a candidata deles no programa. Não mostraram muito. O candidato não é Lula, mas insistem nessa conversa de que o mundo começou em 2003. O programa é um reconhecimento de que não têm candidatos - disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

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