CNT/Sensus: Dilma cai em todas as regiões
O Globo, 14.10.2010
Pesquisa CNT/Sensus divulgada há pouco em Brasília mostra que as intenções de votos na candidata Dilma caíram em todas as quatro regiões do país.
Confira a comparação feita entre a pesquisa divulgada no último dia 28 de setembro com a de hoje.
Norte/Centro-Oeste
Dilma tinha 48,9% passou para 40,7%
Serra tinha 38,2% passou para 45,7%
Nordeste
Dilma tinha 66% passou para 60,7%
Serra tinha 24,5% passou para 32,1%
Sudeste
Dilma tinha 52,1% passou para 43,3%
Serra tinha 36% passou para 44,7%
Sul
Dilma tinha 40,7% passou para 36,3%
Serra tinha 45,5% passou para 56%
(Blog do Noblat)
Munição anti-Dilma é do próprio lulismo
Editorial O Globo, 14.10.2010
Para usar uma imagem do boxe, é como se, numa luta de dois rounds, uma esmagadora maioria previsse a vitória de um dos lutadores por nocaute. Porém, um golpe inesperado daquele marcado para perder jogou o adversário favorito, zonzo, nas cordas, enquanto soava o gongo do intervalo.
É assim que parece a candidata Dilma Rousseff, que tenta se refazer do susto de não ter acabado com a eleição no primeiro turno, e parte para o ataque, na campanha do segundo, aposentando o manual de boas maneiras usado no início da luta.
Se vai funcionar, não se sabe.
A primeira pesquisa do segundo turno, do Datafolha, registrou grande estreitamento na vantagem que Dilma ostentava em relação a Serra.
Os 54% a 46% dos votos válidos levantados pela sondagem refletiram um importante sangramento de votos dilmistas iniciado na última semana de campanha do primeiro turno.
Ontem, foi a vez do Ibope, divulgado no “Jornal Nacional”: 53% a 47%. Confirma-se a aproximação de Serra.
A julgar pelo primeiro debate do segundo turno, domingo na TV Bandeirantes, uma das armas sacadas pela candidata oficial, como fizera Lula no segundo turno de 2006, o “fantasma” das privatizações, encontra um candidato tucano rápido no gatilho da réplica, ao contrário de Geraldo Alckmin naquela ocasião.
Além disso, os quatro anos de governo lulopetista concedidos a mais pelo eleitorado demonstraram que sacrossantas estatais terminaram privatizadas, mas de maneira deletéria: privatizadas pelo fisiologismo político, caso do setor elétrico; pelo aparelha-mento, em que se destaca a Petrobras; e para a criação de dificuldades a fim de se venderem facilidades, como ocorrido nos Correios sob a influência de Erenice Guerra e herdeiros.
Dilma Rousseff e o PT se apresentam como vítimas de torpes acusações espalhadas pela internet.
O ponto nevrálgico dos ataques tem sido a lembrança de que a candidata já defendeu a legalização do aborto, tema que, infelizmente, tem servido para contaminar o debate político por crenças religiosas.
Até aqui, a campanha tem servido de alerta ao PT, alvejado por uma artilharia conhecida por militantes do partido: textos e filmes distribuídos pela internet.
Outro aspecto de todo este tiroteio é que parte da munição de que se valem grupos para atacar Dilma Rousseff é obtida em documentos oficiais.
Neste sentido, não se pode, a rigor, entender como calúnias algumas mensagens que circulam na rede de computadores. Afinal, como o governo Lula é um conglomerado de correntes ideológicas, com várias capitanias hereditárias distribuídas pela máquina pública, e algumas delas controladas por agrupamentos de esquerda autoritária, não é difícil encontrar propostas radicais, emanadas de dentro do governo, contrárias à Constituição.
Quem consultar a terceira versão do “Plano Nacional de Direitos Humanos”, assinado pelo próprio Lula, encontrará muito daquilo de que a candidata quer manter distância: descriminalização do aborto, censura à imprensa, ataque ao direito constitucional de propriedade etc.
A própria Dilma chegou a encaminhar à Justiça eleitoral parte desse plano como programa de seu governo. Diante da má repercussão, voltou atrás.
Haja o que houver, Lula paga hoje um preço por ter abrigado no governo correntes cujo projeto de país nada tem a ver com as aspirações das classes médias que aumentam de peso na sociedade brasileira.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Criminalidade politica, impunidade - editorial O Globo
Impunidade incentiva crime na política
EDITORIAL
O GLOBO, 03/09/2010
Era de se prever uma dura campanha eleitoral. Como todo grupo político, PT e aliados procuram estender o máximo possível seu projeto de poder. Os tucanos, por exemplo, aprovaram alteração constitucional para a reeleição de FH. Por que Lula, PT e partidos da base do governo não poderiam desejar algo semelhante? O problema está nos métodos petistas.
O desenrolar da vida política brasileira desde a redemocratização sinalizava para um alto risco de ações subterrâneas. No final da campanha de 2006, com a tentativa de "aloprados" petistas - um deles, chefe da campanha do candidato do partido ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante - de comprar, com dinheiro vivo, um dossiê falso contra Serra, emergiu a ponta do bunker clandestino que atua além dos limites da lei e do estado de direito para sabotar adversários. Há pouco, um sindicalista dissidente desse grupo, Wagner Cinchetto, garantiu à "Veja" e ao "Estado de S. Paulo" que esse núcleo de "inteligência" age nas sombras desde 2002.
Infelizmente, os piores prognósticos se confirmam, com uma sucessão de fatos degradantes em que, mais uma vez, agentes aloprados deixam impressões digitais em tentativas clandestinas de desestabilizar a candidatura tucana de Serra ao Planalto. Desta vez, para ajudar a eleição de Dilma Rousseff, entendida pela militância como o sonhado "terceiro mandato" de Lula. Traduza-se "terceiro mandato" pela manutenção de pouco mais de 20 mil pessoas empregadas em "cargos de confiança", pela garantia de outros quatro anos de acesso fácil ao dinheiro público por parte de grupos políticos incrustados em aparelhos na máquina pública, de corporações sindicais a organizações políticas como as dos sem-terra. Portanto, para atingir este fim valem todos os meios. Um deles, a quebra do direito constitucional à privacidade, pela obtenção ilegal de informações sigilosas sob a guarda da Receita. Veio a descoberta do uso da delegação da Receita em Mauá para o desvio de declaração de renda do tucano Eduardo Jorge, cujas informações iriam, ou foram, abastecer uma linha de montagem de dossiês existente num escritório de campanha de Dilma Rousseff. Depois, constatou-se que o golpe fizera mais vítimas tucanas, inclusive a filha do candidato do partido ao Planalto, Verônica Serra, alvejada por uma operação escabrosa de uso de falsificações de assinaturas e de carimbo de cartório. Neste crime, foi usada outra base da Receita na Grande São Paulo, a de Santo André. É a impunidade existente no PT que incentiva a militância a agir como delinquentes, espiões. O partido estimula o crime quando dá tratamento de herói a mensaleiros, permite que o aloprado Hamilton Lacerda, da campanha de Mercadante e da gangue do dossiê falso, volte à legenda. Quando a PF pouco ou nada faz para descobrir a origem da montanha de dinheiro levado na mala preta de Hamilton e comparsas para comprar o tal dossiê, ela avisa aos companheiros que "está tudo dominado", "liberou geral". Neste quadro de deterioração do serviço público, não espanta que o feroz Leão da Receita se transforme em dócil gatinho diante do roubo de informações nos seus computadores. Independentemente do resultado das eleições, a sociedade brasileira tem grave doença a debelar: a partidarização do Estado, uma das últimas escalas na degradação da democracia rumo a um regime policial, personalista, autocrático.
EDITORIAL
O GLOBO, 03/09/2010
Era de se prever uma dura campanha eleitoral. Como todo grupo político, PT e aliados procuram estender o máximo possível seu projeto de poder. Os tucanos, por exemplo, aprovaram alteração constitucional para a reeleição de FH. Por que Lula, PT e partidos da base do governo não poderiam desejar algo semelhante? O problema está nos métodos petistas.
O desenrolar da vida política brasileira desde a redemocratização sinalizava para um alto risco de ações subterrâneas. No final da campanha de 2006, com a tentativa de "aloprados" petistas - um deles, chefe da campanha do candidato do partido ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante - de comprar, com dinheiro vivo, um dossiê falso contra Serra, emergiu a ponta do bunker clandestino que atua além dos limites da lei e do estado de direito para sabotar adversários. Há pouco, um sindicalista dissidente desse grupo, Wagner Cinchetto, garantiu à "Veja" e ao "Estado de S. Paulo" que esse núcleo de "inteligência" age nas sombras desde 2002.
Infelizmente, os piores prognósticos se confirmam, com uma sucessão de fatos degradantes em que, mais uma vez, agentes aloprados deixam impressões digitais em tentativas clandestinas de desestabilizar a candidatura tucana de Serra ao Planalto. Desta vez, para ajudar a eleição de Dilma Rousseff, entendida pela militância como o sonhado "terceiro mandato" de Lula. Traduza-se "terceiro mandato" pela manutenção de pouco mais de 20 mil pessoas empregadas em "cargos de confiança", pela garantia de outros quatro anos de acesso fácil ao dinheiro público por parte de grupos políticos incrustados em aparelhos na máquina pública, de corporações sindicais a organizações políticas como as dos sem-terra. Portanto, para atingir este fim valem todos os meios. Um deles, a quebra do direito constitucional à privacidade, pela obtenção ilegal de informações sigilosas sob a guarda da Receita. Veio a descoberta do uso da delegação da Receita em Mauá para o desvio de declaração de renda do tucano Eduardo Jorge, cujas informações iriam, ou foram, abastecer uma linha de montagem de dossiês existente num escritório de campanha de Dilma Rousseff. Depois, constatou-se que o golpe fizera mais vítimas tucanas, inclusive a filha do candidato do partido ao Planalto, Verônica Serra, alvejada por uma operação escabrosa de uso de falsificações de assinaturas e de carimbo de cartório. Neste crime, foi usada outra base da Receita na Grande São Paulo, a de Santo André. É a impunidade existente no PT que incentiva a militância a agir como delinquentes, espiões. O partido estimula o crime quando dá tratamento de herói a mensaleiros, permite que o aloprado Hamilton Lacerda, da campanha de Mercadante e da gangue do dossiê falso, volte à legenda. Quando a PF pouco ou nada faz para descobrir a origem da montanha de dinheiro levado na mala preta de Hamilton e comparsas para comprar o tal dossiê, ela avisa aos companheiros que "está tudo dominado", "liberou geral". Neste quadro de deterioração do serviço público, não espanta que o feroz Leão da Receita se transforme em dócil gatinho diante do roubo de informações nos seus computadores. Independentemente do resultado das eleições, a sociedade brasileira tem grave doença a debelar: a partidarização do Estado, uma das últimas escalas na degradação da democracia rumo a um regime policial, personalista, autocrático.
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